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Em julho de 2018, o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro produziu um relatório destacando condições inadequadas para os jogadores da base do Flamengo no Ninho do Urubu.

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Portal das Gerais- O seu portal de Segurança Pública e Notícias –  edição Jane Huscher

Em julho de 2018, o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro produziu um relatório destacando condições inadequadas para os jogadores da base do Flamengo no Ninho do Urubu. Um alerta sete meses antes do incêndio da última sexta-feira que deixou um saldo de dez mortos e três feridos.

A vistoria feita nos contêineres no ano passado chegou a seguinte conclusão:

“Os quartos, divididos por categorias (idade), estavam com aparente excesso de beliches, reduzido ainda mais o conforto do local, com mobiliário em razoáveis condições”, consta no documento, ao qual a reportagem teve acesso com exclusividade.

O pouco espaço impediria os jovens de ter condições de lerem livros ou estudarem, segundo o relatório do MP do Rio.

Até mesmo o lazer disponível para os jogadores chamou à atenção. “Apenas uma televisão disponível no local”.

O extintor encontrado na área que englobava toda a base era o único e também estava com a data vencida em dois anos e cinco meses. Há uma foto no documento comprovando o quadro encontrado.

Outro ponto relatado foi em relação ao controle feito pelos monitores.

“Questionado, o único monitor presente ao tempo de vistoria não foi capaz de responder, com segurança, aos questionamentos feitos por este TP em relação à uma possível situação de emergência noturna”, consta no relatório.

O Flamengo não se manifestou quando abordado pela reportagem sobre as informações observadas pelo MP do Rio. Nem soube informar se, de julho de 2018 até o início do ano, foram feitos ajustes.

A gestão atual assumiu em janeiro e tenta reunir informações e documentos sobre o Ninho do Urubu. Na data da última visita do MP do Rio o presidente do Flamengo era Eduardo Bandeira de Mello, que, procurado pela reportagem, preferiu não se manifestar. O ex-mandatário afirmou não ter recebido o documento citado pela reportagem.

No incêndio da última sexta-feira, 26 jogadores ocupavam o alojamento no momento do incêndio. Um inquérito foi instaurado no 42º DP do Recreio dos Bandeirantes, na zona oeste do Rio.

OUTROS PONTOS DE ATENÇÃO

O relatório também aponta que o Flamengo não apresentava condições adequadas para jogadores da base em outros locais do CT.

Por exemplo uma casa existente no local e que, segundo o MP, era usada para alojar meninos em fase de testes.

“[A casa] Encontrava-se em situação ainda mais precária do que as relatadas nos relatórios anteriores, com péssimas condições de manutenção, iluminação e limpeza”, diz o documento, que em suas versões anteriores, em 2016 e 2017, já havia sinalizado problemas.

“Havia infiltrações e presença de fungos no revestimento de paredes e teto de todos os cômodos, inclusive com teias e traças, sendo o local incompatível para o que se propõe, em função de sua insalubridade”.

A conclusão do MP sobre a área destinada para a base em julho de 2018 foi:

“A área destinada aos menores atletas da base, já federados, era provisória, e também inapropriada como alojamento”.

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