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Militar lotado no Rio de Janeiro, escreve carta para o Presidente Jair Bolsonaro. Leia aqui

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Portal das Gerais- O seu portal de Segurança Pública e Notícias –  edição Jane Huscher

Carta ao presidente Jair Bolsonaro – Do CB PM Nascimento, lotado na polícia militar do Estado do Rio de janeiro:

Caro Presidente da República Jair Messias Bolsonaro, essa semana foi veiculada nos principais veículos de imprensa do país a notícia de que o senhor pediu aos militares do país que façam um sacrifício pela reforma da previdência, na qual o senhor já mencionou e bateu o pé que serão incluídos em tal reforma. Pois bem, senhor presidente, espero que quando o senhor usa a palavra “militares” o senhor não esteja incluindo os policiais militares de todo o Brasil, em particular os do Rio de janeiro, que são os policiais que mais morrem no país, são os policiais que tem um dos piores salários, que são os policiais que tem a pior carga horária, as piores escalas, o pior tratamento por parte governo estadual, federal e do comando da corporação. Espero eu que o senhor realmente não esteja incluindo os policiais militares nessa reforma, porque se eu for levar em conta a carga horária ou a escala na qual sempre trabalhei, ao final dos meus 30 anos de efetivo serviço, sem em nenhum momento pegar licença médica, eu irei ter trabalhado nessa carga horária e escala muito mais que 30 anos de serviço. Pode acrescentar ao final da carreira uns cinco anos a mais do que deveria ter trabalhado. E nem precisa de reforma da previdência pra me obrigar a isso. Se acrescentar mais 5 conforme o Sr que nessa reforma, teremos trabalhado 40 anos, devido a carga horária absurda do polícia militar e escalas escravistas.

Não sei se o Sr sabe, mas, o PM do RJ é obrigado a trabalhar na folga, é obrigado a consertar viatura, nós não recebemos adicional por insalubridade, não recebemos adicional de periculosidade, não temos acompanhamento psicológico, etc. Não temos direito nem de reclamar.
Nosso serviço, como todos sabem, é um serviço insalubre e um serviço bastante perigoso. Exercemos a profissão mais perigosa do mundo. E o Sr ainda vem pedir para o militar mais “sacrifício”?
Pois bem, sr presidente, nós até faríamos um sacrifício se o senhor pedisse para o banco Bradesco, banco Itaú, rede Globo, entre outras grandes empresas devedoras do INSS fazer também o sacrifício de pagar a dívida que eles tem com INSS.
Eu ficaria muito feliz em trabalhar mais 3,4,5 anos se o senhor pedir aos seus coleguinhas políticos para também fazer o sacrifício e por fim as inúmeras regalias que os políticos brasileiros, inclusive o Sr, possuem, as quais fazem com seus ganhos salariais sejam ganhos estratosféricos, totalmente fora da realidade desse país. Não estou vendo em nenhum momento o sr pedir sacrifício dos políticos ou pedir sacrifício das grandes empresas devedoras do INSS.
Simplesmente está jogando a carga do suposto rombo da previdência em cima dos militares e dos trabalhadores comuns. Se o Sr um dia foi um militar ou parece ter sido, eu acho que não deve conhecer a realidade do militar brasileiro, em particular a do policial militar, que sempre estiveram ao seu lado desde o início da sua carreira política, acreditando no senhor e nos seus filhos.
Vamos fazer um negócio, sr presidente?
Peça aos seus filhos para trabalhar durante um ano na polícia militar do Rio de Janeiro, na mesma escala que trabalhamos, na mesma carga horária, no combate em todos os serviços, sofrendo todo tido de covardias, perdendo noites e noites de sono, sendo humilhados pelo governo estadual e pelo próprio comando, e pergunte a ele ao término do ano se ele conseguiria trabalhar 5 anos a mais do que o previsto.

Duvido que um de seus filhos dirão que conseguiriam trabalhar mais que 30 anos na mesma batida e se ao final ele já não teria trabalhado bem mais que os 30 anos previstos.

O Sr pode ter certeza de que se o policial militar for incluído nessa reforma da previdência, o Sr terá cometido a maior covardia que alguém já cometeu com essa classe, e olha que não são poucas as covardias que sofremos na polícia militar.
Terá também a certeza de que nunca mais terá o nosso voto, nem o Sr, e nem ninguém que usar o nome Bolsonaro em campanha política.

O Sr não estará nos favorecendo em nada nos deixando fora dessa reforma, estará apenas sendo justo ao fazer isso. Pois, no final de nossas carreiras já teremos trabalhado muito mais que o previsto.

Repassem até chegar ao presidente da república e aos deputados federais.

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