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O presidente da Vale, Fabio Schvartsman, se afastou neste sábado (2) do comando da empresa

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Portal das Gerais- O seu portal de Segurança Pública e Notícias –  edição Jane Huscher

O presidente da Vale, Fabio Schvartsman, se afastou neste sábado (2) do comando da empresa. O conselho de administração da companhia aprovou o afastamento.

A decisão foi tomada após a força tarefa que investiga o rompimento da barragem de Brumadinho (MG) recomendar o afastamento do executivo e de outros 13 empregados da mineradora.

O diretor-executivo Eduardo Bartolomeo vai assumir interinamente a presidência da Vale.

O Conselho de Administração da Vale decidiu afastar, além de Schvartsman, mais 3 diretores.

A Polícia Federal informou que recebeu dos advogados dos diretores Peter Poppinga, Lucio Cavalli e Silmar Silva o pedido de afastamento deles.

Mais cedo, a Vale declarou que coopera permanentemente com as autoridades encarregadas da investigação.

Nesta semana, funcionários da Vale que estão presos afirmaram, em depoimento, que diretores da mineradora sabiam de problemas na barragem que rompeu em Brumadinho(MG), incluindo o risco de liquefação e erosão interna – apontados como possíveis causas do acidente. Até o momento, 186 mortos foram identificados e há 122 pessoas desaparecidas.

As autoridades que recomendaram o afastamento alertaram que, caso a Vale não cumprisse o pedido, a força-tarefa poderia pedir à Justiça a adoção de medidas mais enérgicas, como a prisão das pessoas citadas.

A força-tarefa pediu também que Schvartsman e mais oito investigados “sejam proibidos de entrar em prédios ou instalações da mineradora”. Outra recomendação é para que o corpo de empregados da Vale não compartilhasse assuntos de “teor estritamente profissional” com os investigados.

Schvartsman assumiu o comando da mineradora em maio de 2017, quando foi escolhido para substituir Murilo Ferreira. Ele foi eleito pelo Conselho de Administração a partir de uma lista preparada pela empresa internacional de seleção de executivos Spencer Stuart, seguindo as normas e governança da companhia.

Antes de assumir o posto na Vale, Schvartsman foi diretor-geral da Klabin e teve passagens pela Duratex, SanAntonio Internacional e Telemar. Na Ultrapar (Grupo Ultra), trabalhou por 22 anos e atuou como sócio-diretor até 2007.

Leia abaixo a íntegra da carta de Fabio Schvartsman enviada ao Conselho da Vale:

“Tenho em mãos a Recomendação nº 11/2019, dirigida a esse Conselho pelo Ministério Público Federal em conjunto com o Ministério Público do Estado de Minas Gerais e em atuação coordenada com a Polícia Federal e a Polícia Civil do Estado de Minas Gerais, da qual consta recomendação do imediato afastamento de certos diretores e empregados da Vale, incluindo o meu próprio.

“Como é do pleno conhecimento desse Conselho, desde os dramáticos eventos de 25 de janeiro, venho dedicando todos os minutos de meus dias e noites, no limite máximo de minhas forças, às frentes de reação da companhia àqueles eventos, determinadas por esse Conselho e por mim mesmo, em conjunto com os demais membros da Diretoria, com absoluta priorização do atendimento às vítimas e às suas famílias, à apuração direta e à cooperação com a apuração dos fatos e à preservação das atividades da Vale, cruciais para o Estado de Minas Gerais e para o Brasil”.

“Como esse Conselho de Administração também não desconhece, foram desde logo adotadas pela Diretoria, sob meu comando, todas as medidas necessárias à preservação da integridade da informação disponível, para que a apuração independente dos fatos, pelas autoridades e pelo Comitê imediatamente criado por esse Conselho por proposta da Diretoria, possa ser realizada com a maior brevidade e profundidade”.

“Desde o momento em que ocorreu a tragédia que se abateu sobre as vítimas, suas famílias e sobre esta companhia estratégica para os interesses do país, fiz questão de atender pessoalmente a todas as demandas, da imprensa e das autoridades, sem intermediação de quem quer que fosse, de maneira a transmitir diretamente às vítimas, a suas famílias, à opinião pública, aos acionistas e a todos interlocutores da Vale, o nosso compromisso com a atuação mais adequada e de alto nível possível da companhia, no momento mais grave de sua história”.

“Estou absolutamente convicto de que minha atuação pessoal e a dos demais membros de nossa Diretoria, cujo afastamento é agora solicitado, foi absolutamente adequada, correta e, principalmente, fiel aos nossos valores inegociáveis de proteção à segurança das operações da companhia, e às diretrizes nesse sentido emanadas desse Conselho. Assim como estou absolutamente convicto de que a continuidade de nossa atuação continuaria a ser a maneira mais eficaz de a Vale obter e promover os melhores resultados em sua reação à tragédia. Entretanto, há momentos em nossas vidas em que é preciso sacrificar as convicções pessoais em benefício de um bem maior. E este é um desses momentos, pois minha presença no comando da Vale passou a ser percebida como inconveniente por autoridades que seguirão interagindo diuturnamente com a companhia”.

“É muito difícil para mim, após décadas de atuação como executivo de algumas das maiores empresas do Brasil, e tendo colhido o reconhecimento de minha dedicação e apoio aos milhares de colegas, colaboradores, acionistas e demais constituintes com quem ombreei ao longo de todos aqueles anos na tarefa de gerar empregos, riqueza, tributos e governança de primeiro nível, retirar-me da linha de frente, ainda que temporariamente, quando o desafio mais agudo se apresenta. Mas essa frustação daquilo que percebo como meu dever de dedicação integral às vítimas, a suas famílias, a todos os colaboradores da Vale e ao país, é irrelevante quando comparada à dor que se espalha entre milhares de pessoas neste momento e deve ceder diante do valor maior de preservação dos interesses da nação que a Vale representa”.

“Por tudo isso, ainda que com a absoluta convicção da retidão de minha conduta e do dever cumprido até aqui, e certo de que a percepção dos fatos que levou à recomendação de afastamento não corresponde absolutamente à sua realidade, tomei a decisão, nesta hora, em benefício da continuidade das operações da companhia e do apoio às vítimas e a suas famílias, de solicitar a esse Conselho, respeitosamente, que aceite o pedido de meu afastamento temporário das funções de diretor presidente da Vale”.

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