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Prefeito de Brumadinho expressa preocupação com situação econômica da cidade.

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O rompimento da barragem da mina Córrego do Feijão, operada pela Vale, deixa também um rastro de calamidade econômica em Brumadinho. Dos cerca de R$ 36 milhões que o município recebe anualmente referentes aos royalties da mineração (Compensação Financeira pela Exploração dos Recursos Minerais, Cfem) R$ 21,41 milhões (60%) vêm da mina, cujas operações foram suspensas pela Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Minas na sexta-feira –sem previsão de retomada.

“A situação é de desespero porque o impacto será enorme. Brumadinho é uma cidade mineradora, dependemos da Cfem”, lamenta o prefeito, Avimar de Melo (PV). Segundo ele, a Cfem é o principal recurso da cidade. Restante é receita de impostos como ISS e ICMS, além de repasses da União e do Estado.

O reflexo vai ainda mais longe. Mais de 800 pessoas trabalhavam na mina, a maioria morador de Brumadinho. Como o município tem 39.520 habitantes, sendo 8.783 ocupados, é possível dizer que 10% dos trabalhadores da cidade são empregados diretos da mineradora. Há, ainda, os indiretos e aqueles que eram empregados de prestadores de serviços para a mineradora.

Por ano, o município recebe R$ 36 milhões em decorrência da exploração de minério; temor é o corte do repasse

Sem a circulação do dinheiro, o prefeito já espera efeito em cascata, com forte queda do comércio. “Não sabemos como oferecer saúde e educação de qualidade agora. Estamos sem chão. Precisamos de ajuda da Vale, do Estado e da União para que a cidade se mantenha em pé”.

Após 2015, Mariana, na região Central do Estado, passou por problema semelhante. Na época, a barragem de Fundão, operada pela Samarco, controlada pela Vale, se rompeu, encerrando o repasse do Cfem da empresa ao município. “Brumadinho pode esperar avalanche de problemas financeiros. Além de ficarem sem a Cfem, o dinheiro dos trabalhadores vai minar, o comércio vai sentir muito e o ICMS vai despencar”, prevê o prefeito de Mariana, Duarte Júnior (PPS), relembrando o impacto do efeito cascata.

A título de comparação, ele ressalta que, em Mariana, o ICMS caiu de R$ 11,8 milhões em 2015 para R$ 4,5 milhões em 2018 (-61,86%). E a Cfem foi de R$ 140 milhões para R$ 60 milhões (-57,14%).

O turismo também foi duramente afetado. Inhotim, maior museu a céu aberto do mundo, segue fechado até quinta-feira, a princípio. “Brumadinho tem duas vertentes econômicas: a mineração e o turismo, puxado por Inhotim. E as duas temporariamente suspensas. Brumadinho vai precisar de recursos externos”, crê o coordenador do curso de economia do Ibmec, Márcio Salvato.

A Vale não se manifestou sobre o assunto. (com Hoje em Dia)

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